quinta-feira, 22 de junho de 2017

Construindo um Relatório...

Compreendemos que a natureza estabelecida no ato de querer compreender, de buscar o entendimento, são aspectos que norteiam a investigação de um Projeto de Pesquisa, já que o mesmo pode abranger múltiplos aspectos, em diferentes áreas do conhecimento, que trabalhadas em uníssono, trazem significativas contribuições para o processo de ensino-aprendizagem.
Ainda que a realidade de nosso grupo seja constituída de diferentes realidades, um dos pontos pacíficos é que a idade não é um fator pré-determinante para o início dos questionamentos, tampouco das investigações.
Desta forma, julgamos importante especificar como ocorreu o processo em cada caso em específico, a saber:
A turma da Daniela é constituída por crianças do Maternal I, na faixa etária entre os  2 e 3 anos, marcadas pelo egocentrismo, com vistas à repetição vocabular e expressões de frases sintéticas. Percebeu-se que os interesses orbitaram na contação de histórias curtas ou ainda, nos tradicionais contos de fadas. Neste sentido, as observações com relação as predileções demonstradas nas brincadeiras livres nortearam as escolhas das atividades propostas, sempre tendo-se em vista que é nessa fase que a criança aprende a falar, atentando para a utilização de vocabulários que estejam inclusos em um mesmo contexto.
No caso da Turma 3 A 3, pertencente a Ivonete, os alunos encontram-se na faixa etária dos 7 a 8 anos, totalizando 25 crianças. Ao propor-se a realização de um Projeto de Aprendizagem, as discussões iniciaram-se com a questão “Há apenas um tipo de leitura?” Dando vazão à oralidade que é característica desta turma e às contra-argumentações, evidenciou-se a conclusão de que todos os seres humanos realizam leituras de mundo a todo instante, independente de serem alfabetizados ou não, embora a Escola desempenhe papel fundamental na otimização desta compreensão. A dúvida pairou sob as formas como ocorrem estas interpretações. Sendo assim, as atividades que seguiram-se, foram direcionadas no sentido de comprovar a veracidade destas afirmações com relação à realidade que os alunos percebiam à sua volta. Já com relação à escolha das literaturas, respeitou-se as indicações dos alunos, a partir de seus próprios campos de interesse.

Como já pontuado em circunstâncias passadas, esta turma se destaca pela oralidade, pois são alunos que demonstram-se muito participativos, que não se intimidam quando são convidados a tecer hipóteses explicativas sobre os assuntos, ainda que não os dominem a fundo.
Desta forma, muitas das argumentações que foram utilizadas, serviram de parâmetros norteadores para as atividades encaminhadas. Para exemplificar, citamos as discussões daquilo que entitulou-se "leituras explícitas" e/ou "leituras implícitas", pois daqui, originou-se a conclusão de que, a todo tempo, estamos fazendo leituras do mundo que nos rodeia.
Num segundo momento, quando organizaram-se autonomamente para realizar uma produção textual coletiva, chamou a atenção  as táticas de apresentação pelas quais eles optaram: alguns, escolheram alternar leituras, parágrafo a parágrafo, outros, realizaram-na segundo as falas dos personagens, enquanto outros, decidiram pela atividade conjunta. Isso foi muito enriquecedor ao passo que, enquanto professora, julgava-se que seria uma fase que necessitaria intervenção direta. Porém, tudo ocorreu de forma tão naturallizada que despertou a percepção de que, apesar de tão pequenos, há certas questões desafiadoras que precisam ser confiadas às suas capacidades decisórias.
A atividade de leitura oral demonstrou-se importante ao passo que promoveu simultaneamente a desinibição, a socialização e  atenção quanto a utilização correta dos sinais de pontuação, aspectos cruciais para o desenvolvimento de uma aprendizagem significativa, já que tratam-se de alunos que ainda encontram-se em fase de alfabetização.
Após acordar-se que a realização da atividade Bolsa Literária seguiria a ordem alfabética, não houveram discussões quanto ao ordenamento. Algumas exposições chamaram a atenção porque os pais auxiliaram seus filhos no que se refere aos “treinamentos” de suas falas, ainda que as mesmas não tenham ocorrido sem contrapontos da parte dos colegas. Em alguns casos, como em uma leitura sobre os benefícios da alimentação saudável, uma das crianças produziu o personagem utilizando apenas vegetais e frutas e conjuntamente com a família, decidiu denominá-las como Dona Vitalidade. Certamente, foi um dos momentos marcantes desta atividade e todos adoraram!
As produções escritas deles já buscam um maior incremento vocabular, substituindo as tradicionais repetições de palavras e ideias que caracterizam esta fase da alfabetização, ou seja, outro aspecto positivo intrínseco ao desenvolvimento das atividades que foram propostas. 
A oralidade também foi potencialmente explorada por parte da turma de Primeiro Ano que pertence à Kasandra, já que por estarem na fase inicial da alfabetização, os mesmos ainda não dominam a linguagem escrita para realizarem leituras de forma autônoma. Por este motivo, a utilização de materiais com recursos imagéticos ampliados (vídeos, gibis, contação de histórias com a utilização de fantoches, etc) determinaram os focos de interesse que foram apresentados pelas crianças, bem como suas certezas e dúvidas.
Entre as turmas com as quais trabalha, a Alessandra escolheu um Terceiro Ano do Ensino Médio para desenvolver suas atividades deste Projeto de Aprendizagem. A mesma é composta por 30 alunos, com idades entre 16 e 18 anos, os quais destacam-se pela pro-atividade. Mobilizados por questões sobre a prática da leitura na Língua Inglesa, os focos de interesse surgiram a partir dos diferentes níveis de compreensão do idioma. Desafiados a realizarem interpretações de diferentes gêneros literários, todas as pesquisas realizaram-se com o intuito de constituírem-se fichas de leituras, sequenciadas por apresentações oralizadas, porém, em Português, para facilitar entendimentos e debates em torno das questões suscitadas.
Ao passo que vamos desenvolvendo as atividades que permeiam nosso PA, vamos fundamentando os diferentes significados abrangidos pelo ato da leitura, damo-nos conta do quanto o estímulo à esta prática desempenha papel fundamental no despertar para a apreciação de diferentes obras literárias. Ao nosso ver, são práticas desta natureza que podem atuar como verdadeiros antídotos contra a proliferação dos casos de analfabetismo funcional nos níveis que vem alarmando a sociedade em nossos dias. 

(Apontamentos realizados pela Ivonete)


Os encantos da prática da Leitura no Primeiro Ano




A leitura é um momento lúdico que, no caso do Primeiro Ano, envolve muita fantasia. É o momento que a criança viaja para um mundo encantado, cheio de surpresas. Quando realizo leituras orais para meus alunos, percebo que lhes aguça a curiosidade e todos ficam bem envolvidos. Desta forma, esta prática costuma fazer parte de meu cotidiano pedagógico.
Enquanto vou realizando as leituras, procuro convidá-los a argumentar sobre os assuntos, procuro promover atividades que envolvam motricidade, coordenação motora fina, pois o meio em que vivemos não é apenas para ser visto, mas também para ser tocado, cheirado, ouvido e degustado e a Escola é um dos ambientes em que as crianças podem ter estas percepções de como explorar o mundo por meio dos cinco sentidos. Neste momento, procuro por leituras de clássicos da literatura infantil, mesclando-as com literaturas produzidas mais recentemente.
O processo de aquisição da leitura da linguagem escrita na criança não inicia direto na alfabetização. É um processo constante que deve ser estimulado, com vistas a estimular a curiosidade de conhecer este mundo mágico.
Dar oportunidades para que os alunos conheçam o mundo encantado dos livros e vencer suas deficiências com a leitura é um importante facilitador no processo de assimilação da escrita. Quando estimulados a desenvolverem o hábito e o gosto de pela leitura, as crianças desenvolvem as suas capacidades interpretativa e criativa. A Escola é crucial neste processo, pois é nela que identificamos e formamos leitores.
No dia-a-dia, ficamos o tempo inteiro realizando leituras. No caso de minha turma, como ainda não dominam a leitura escrita, a função imagética é fundamental e neste sentido, as leituras de gibis, produziram excelentes efeitos, aguçando suas curiosidades e desafiando seu senso crítico.
Segundo o que afirma Carvalho (2004), “palavras e imagens, juntos, ensinam de forma mais eficiente – a interligação do texto com a imagem, existente nas histórias em quadrinhos, amplia a compreensão de conceitos de uma forma que qualquer um dos códigos, isoladamente, teria dificuldades para agir”.
Entre os elementos que os gibis oferecem, estão os aspectos lúdicos como cores, onomatopeias, personagens e traços. São histórias curtas que fazem parte da literatura infantil que se aliam às brincadeiras justamente através do simbólico, da fantasia.
Como estamos próximo à metade do ano letivo, muitas crianças já estão dominando a leitura, realizando-as autonomamente. Aliando-se a isso, nossa Escola também tem o “Dia da Leitura” e nestes momentos, as crianças ficam livres para escolherem os títulos que melhor lhes convém.
De acordo com as reflexões de Anjos e Ferreira (2012), “as idas a bibliotecas e a participação efetiva das crianças no processo de interação com livros, revistas, jornais, almanaques, gibis, entre outros, é um aspecto que pode ser adotado pelo professor no intuito de induzir o educando a aprender a explorar este espaço, colaborando com a consequente autonomia do mesmo nesta atividade que, pelo auxílio do professor, tornar-se-á rotineira para a criança.”
Deste modo, a leitura não pode ser uma atividade secundária na sala de aula ou na vida, uma atividades que vise apenas solucionar problemas de escrita.


REFERÊNCIAS

ANJOS. Luciana Moreira dos.; FERREIRA. Aline Barbosa Francine Veloso. A importância da leitura no processo de alfabetização e o uso da biblioteca como espaço de construção do encanto pelo ato de ler. Disponível em: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/seminario/seminario9/PDFs/3.40.pdf, acessado em 22 de maio de 2017.

CARVALHO. Leandro. História em quadrinhos como incentivo à leitura. Disponível em http://educador.brasilescola.uol.com.br/orientacoes/historia-quadrinhos-como-incentivo-leitura.htm, acessado em 22 de maio de 2017.


CORSINI. Rodinei. Gibis na alfabetização. Disponível em: http://www.revistaeducacao.com.br/gibis-na-alfabetizacao/, acessado em 22 de maio de 2017.

(Apontamentos realizados pela Kasandra)




Análise Final do PA

Ao concluírmos e apresentarmos nosso projeto de aprendizagem, a qual construímos em nossas  respectivas turmas, percebemos que é possível trabalhar nos mais diversos eixos do currículo, acrescentando com isso, todo o embasamento teórico e metodológico de nossas práticas em sala de aula. 
Assim, entendemos que  o eixo principal desse projeto e que nos levou a novos aprendizados é, essencialmente, partir do conhecimento de nossos alunos. Não por acaso, nosso tema foi a leitura, porque também define os mais diversos olhares sobre as formas de compreender o mundo à nossa volta.
Ao ler, o estudante infere e  analisa seu mundo com seu conhecimento pre-estabelecido, de forma que possa trazer contribuições ao seu aprendizado  e  à construção cognitiva.As turmas contempladas nesse projeto tiveram um papel essencial na operacionalização de nossas ideias como grupo do PEAD, já que aqui, exercendo esse papel, de alunas, leitoras e  mediadoras, também nos transportamos para dentro desse PA. 
Evidenciamos também, que ao oportunizar aos estudantes um diálogo horizontal sobre seu próprio aprendizado e instigando-os a criarem estratégias e mecanismos pedagógicos para que desenvolvessem a pesquisa de forma significativa,  como agentes ativos de seu saber, tornavam-se assim, aprendentes e mediadores, pois ao desenvolver a responsabilidade de fazer parte do projeto como criador, também  colocavam-se na posição de inicadores, pioneiros e criativos, tinham um papel estrurante nesse cenário que se instarou - do PA!
Por fim, apontamos sobre a importância de continuarmos, como educadoras, a desenvolver projetos que tenham este layout e formato, porque entendemos que só com a construção participativa e cooperativa, onde o conhecimento tenha um prazer significativo na construção que estabelece o aluno; seja com ele mesmo, com o professor e aquilo que estuda, pesquisa, infere como agente principal de seu saber.


(Observações realizadas por Alessandra)




quinta-feira, 15 de junho de 2017

Apresentação de nosso Projeto de Ação


       Na última semana, em nosso encontro presencial no PEAD, fizemos nossa apresentação, com PPT de nosso projeto de aprendizagem, para a interdisciplina de Projeto Pedagógico em Ação.

Documento disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=tXcBom2XG0k

    Assim, reunimos um pouco de nossas experiências, considerando que somos quatro alunas neste grupo, com diferentes realidades, inclusive no que se refere às faixas etárias de nossos estudantes, completamente distintas.
   O projeto, na verdade, começou com nossas próprias dúvidas a respeito de como iríamos operacionalizá-lo de forma que contemplasse comum a todas e ainda, como traríamos isso a nossos alunos, etc. Foi necessário que fossem estabelecidas perguntas que nos guiaram na mobilização e execução de nosso projeto de forma bastante integrada e cooperativa.
    Foi bastante gratificante pois também aprendemos muito com essa troca.
   Algo que julgamos importante foi a metodologia de apresentação trazida pela Professora, estabelecendo que apenas uma integrante fosse interlocutora do grupo. Ao nosso ver, isso potencializou a ideia de coletividade que foi balizadora de nossas atividades, além de agregar positivamente na questão da otimização do tempo. A utilização do arquivo em PPT também facilitou a recordação de nossas ideias constituídas até então, funcionando como excelente recurso imagético. 
      Algumas vezes, tivemos dúvidas se o que estávamos construindo era um Projeto de Aprendizagem ou um Projeto de Aprendizagem, já que características de ambos, iam mesclando-se à construção de nossas atividades. 
         Contudo, ao final, dada às construções que fizemos, priorizando o protagonismo de nossos alunos ao realizarem as atividades, fomos nos dando por conta que estávamos no caminho certo e por isso, julgamos tão positivos os resultados de nossa apresentação.



sábado, 27 de maio de 2017

Mapas Conceituais

      Neste mapa conceitual, apresento pontos-chave de nosso projeto, desenvolvido para a disciplina de Língua Inglesa, com os alunos do 3º ano do Ensino Médio, de uma escola pública da zona sul de Porto Alegre. Turma-piloto, turma 300.







   Na sequência, eu, Ivonete, agrego o Mapa Conceitual com algumas expressões norteadoras que serviram-nos de guia para o desenvolvimento das atividades sugeridas para a prática da Leitura. 
   Tratam-se de experiências realizadas com a minha turma, um Terceiro Ano do Ensino Fundamental, da EMEF Professora Maria Gusmão Britto, de São Leopoldo.


     Obs: Para facilitar a visualização deste Mapa Conceitual, a imagem encontra-se disponível em: https://www.goconqr.com/pt-BR/p/9028698o

          Abaixo segue um mapa conceitual, do Projeto Leitura em Foco, com questões significativas para a Educação Infantil. Por que é importante o incentivo da leitura?

                                   Daniela Paixão (Turma Maternal I)




sábado, 20 de maio de 2017

A prática em exercício


Como professora atuante na Educação Infantil (um universo rico de significados e imaginação), no momento em uma turma de Maternal I que contempla crianças de dois a três anos de idade, é sabido que essa é uma fase em pleno desenvolvimento motor e cognitivo e que depende muito das oportunidades que lhes são oferecidas.
A curiosidade está a todo o vapor, mesmo para os que ainda não conseguem verbalizar. São muitos os desafios e conquistas nesse período, principalmente no que tange a autonomia, conseguir alimentar-se sem auxílio, vestir-se, adquirir o controle esfincteriano ou conseguir expressar-se verbalmente, por exemplo, constituem grandes avanços.
Esta turma, M I da Emei Marione Machado Leite, não poderia ser diferente são crianças muito participativas, atentas, curiosas e em contínuo progresso e descobrimento do seu mundo. E ao longo dos dias vieram demonstrando acentuado interesse por ouvir estórias e músicas, o que predispôs o desenvolvimento do projeto “Leitura em foco com a turma”. Tendo como principal objetivo familiarizar os alunos com os livros e formar futuros leitores, para tanto possuem liberdade na escolha das propostas, como escolher o livro que será lido dentre os oferecidos. Demonstram predileção por contos de fada e estórias onde os personagens são animais.
Á partir desse diálogo inicial desenrolou-se o projeto, como para essa faixa etária o corpo é a principal forma de expressão, todas as atividades sensoriais como: dançar, ouvir sons diferentes, tocar, entre outras, são muito bem acolhidas. Sabendo que por meio do movimento são expressas emoções, pensamentos e idéias, para tanto juntamente com a leitura foram realizadas atividades que lembrassem a história, que lhes permitissem vivenciá-la.
·      Confeccionamos cartazes;

·   Trabalhamos as cores primárias confeccionando tinta com gelatina para pintar a mamãe coruja inspirada no livro: Um tanto perdida (Chris Haughton), dedicado a semana da família; 

·     Trabalhamos as formas na organização da sala com o livro: Beleléu e as formas (Patrício Dugnani);

·     Confeccionamos a capa da Chapeuzinho Vermelho em tecido tnt e a mascara do lobo mau de eva para a caixa de fantasias, para livre dramatizações;  

·     Construímos dedoches e fantoches juntamente com um livro cenário, permitindo-lhes que também contem as histórias;

·  Além de fazer desenhos, cantar e dançar a partir dos contos, entre outras propostas que vão surgindo.

Tentamos levar-lhes experiências lúdicas no qual possam ser os protagonistas, as atividades desenvolvidas consideraram as suas predileções.

“Ainda acabo fazendo livros onde as crianças possam morar.” (Monteiro Lobato)­­­­­­­

Daniela Paixão                                                                                                                                                                                                                                                                                                         






                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           

Colocando a leitura em ação

   
Pensando a questão prática da leitura no cotidiano pedagógico, ressaltando suas contribuições, eu, Ivonete, propus aos meus alunos  da turma 3 A 3 (Ensino Fundamental), a realização das seguintes atividades:


1.  Diálogo inicial sobre os entendimentos acerca da importância e as diferentes formas de leitura que podemos realizar em nosso cotidiano vital
2.  Realização de Fichamentos de Leitura, a partir de leituras contidas em uma “Sacola Literária”.
3.  Produções textuais em duplas, sequenciadas de apresentações orais.



Na sequência, passo a descrever cada atividade, relatando um pouco de como foi a experiência de sua realização:



Diálogo inicial: Diferentes tipos de leituras no cotidiano vital




Conforme podemos observar no vídeo, alguns de meus alunos ainda tem dificuldades em compreender a prática da leitura fora de seu cartesianismo convencional, onde esta, aparece condicionada à presença de letras e números.

Levando em consideração sua faixa etária (entre 8 e 9 anos de idades), surpreendi-me com a profundidade analítica de certas hipóteses que foram levantadas por eles, inclusive, suscitando conversas que dispensaram por completo a minha intervenção.

Entre os aspectos positivos de minha turma, destaco a facilidade com que eles expõem seus posicionamentos durante as explanações orais. Por isso, julguei importante explorar esta potencialidade na presente filmagem.

Outro aspecto que gostaria de destacar é que, os dois alunos que realizam a leitura ao final, estão sendo sondados pelo NAPPI (Núcleo de Atendimento às Pessoas Portadoras de Inclusão), sendo que ambos, tem históricos familiares bem complicados! Entretanto, percebe-se que, mesmo em meio às dificuldades, a oralidade lhes é inerente, aspecto que julgo crucial para o desenvolvimento de uma leitura dinâmica e compreensível, mas sobretudo, significativa.



Realização de Fichamentos de Leitura





Todas as quartas-feiras,  temos uma combinação de que todos devem trazer para a Escola um livro, uma revista, um gibi, enfim, qualquer material para que dediquem-se para a leitura do mesmo. Então, aleatoriamente, alguns alunos são escolhidos para que compartilhem conosco suas impressões e compreensões. 
Quando contei à Kasandra sobre esta minha didática de ensino, ela me sugeriu uma atividade chamada “sacola itinerante”, onde cada dia, um aluno leva para casa um livro, devendo lê-lo com o auxíio de sua família, para que na próxima aula, realize um relato pessoal sobre o que compreendeu da história.

Adorei a ideia! Achei super válida!

Então, resolvi providenciar uma destas pra mim, mas, como pode ser observado na imagem, chamei-a de “Sacola Literária”, pois aliada a prática da leitura, os alunos também ficaram incumbidos de realizarem fichamentos, elencando aspectos estruturais e observações pessoais sobre as obras lidas.


 


Produções Textuais, sequenciadas de exposições orais


Orientados para organizarem-se em duplas para que produzissem coletivamente um texto, os alunos debateram, acordando livremente sobre enredo, personagens, cenários e desfechos que dariam às suas produções.

Inicialmente, eu havia previsto que 4 aulas seriam suficientes para a realização de tal atividade. Todavia, a necessidade de extensão é totalmente compreensível neste caso, inclusive, no que se refere a presença de erros ortográficos e estruturais, por se tratarem de crianças que se encontram em fase de alfabetização.

Enquanto corrigia as produções, alguns aspectos chamaram a minha atenção:

· Todas as duplas optaram por produções textuais do gênero narrativo, sobretudo, porque costuma ser o tipo de leitura mais comum às suas práticas cotidianas.

·  Quase todos textos iniciaram com a expressão “era uma vez”, o que dá a impressão de que,  por “terem de contar uma história”, há uma noção generalizada de que a predominância temporal do imaginário infantil ainda é influenciada pelas estruturas na forma de conto.

·  Percebi que vários textos possuíam expressões em línguas estrangeiras, como shopping, whats app, youtube, tablet, etc, inclusive nos nomes que foram dados aos personagens. Isso transparece a percepção que os alunos têm da realidade que os cerca e a naturalidade com que lidam com estes bombardeios diários de informações que para nós, adultos, muitas vezes, costumam demandar certo tempo para que assimilemos.

· Em linhas gerais, tive a impressão de que compreenderam a noção estrutural da temporalidade dos fatos e isso, me deixou muito feliz, sobretudo, porque eles ainda não possuem noções exatas acerca de conjugações verbais, fazendo-as segundo o que julgam adequadas à construção de suas frases.

Foi uma atividade muito gratificante, principalmente porque, foi a primeira vez em que eles foram desafiados a produzir um texto “sozinhos”, sem a minha intervenção direta. Em outros momentos, havíamos criado textos coletivos, cujas ideias eram pensadas coletivamente  e registradas no quadro por mim para, somente depois, serem registrados em seus cadernos. Então, me senti super orgulhosa de perceber meus pequenos, “andando com suas próprias pernas”!

Operacionalizando o Processo

Nosso projeto para a interdisciplina de Projeto Pedagógico em Ação, tem como objetivo trabalharmos a leitura em sala de aula, assunto que mesmo os alunos tendo bastante dificuldade, entendem como algo bastante necessário. No meu caso, que tenho como público, alunos do 3º ano do Ensino Médio, em vias de finalizar o Ensino Médio e com os olhos no Enem e  vestibular, essa consciência  é ainda mais acentuada. Desta forma, sendo minha disciplina a língua inglesa,  o projeto de aprendizagem - Leitura em Foco - traz aos meus estudantes uma oprotunidade única de colocarem em prática seu aprendizado da língua ao longo dos 3 anos do E.M.. Escolhemos, portanto, livros ao bel-prazer dos alunos, onde a leitura se daria exclusivamente em língua inglesa, e com a ajuda de dicionários,  e não tradutores. Um combinado que fizemos em sala de aula.Assim, os estudantes apresentarão suas leituras rapidamente, de forma oral e em Português para o grupo  de colegas e a professora, e também entregarão uma ficha de leitura, mesclando Inglês e Português, como forma de fazer o que chamamos  em  inglês de reading comprehension. Propus então, uma ficha de leitura, facilmente disponível e reproduzível em vários sites da internet, de forma que estabelecessemos alguns critérios de análise em  nossas leituras. Os alunos respeitaram seus níveis de conhecimento com o idioma e assim buscaram livros que se adequassem às suas competências linguísticas, o que foi muito interessante, pois desta forma,  podiam criar suas estratégias sem estarem em desacordo com seu próprio entendimento leitor.



Ficha de Leitura reproduzível, sugerida aos alunos - Book Report,  disponível em: http://www.educationworld.com/tools_templates/bookreport_fiction.doc

Os encantos da Leitura

A leitura é um momento lúdico que, no caso do Primeiro Ano, envolve muita fantasia. É o momento que a criança viaja para um mundo encantado, cheio de surpresas. Quando realizo leituras orais para meus alunos, percebo que lhes aguça a curiosidade e todos ficam bem envolvidos. Desta forma, esta prática costuma fazer parte de meu cotidiano pedagógico.
Enquanto vou realizando as leituras, procuro convidá-los a argumentar sobre os assuntos, procuro promover atividades que envolvam motricidade, coordenação motora fina, pois o meio em que vivemos não é apenas para ser visto, mas também para ser tocado, cheirado, ouvido e degustado e a Escola é um dos ambientes em que as crianças podem ter estas percepções de como explorar o mundo por meio dos cinco sentidos. Neste momento, procuro por leituras de clássicos da literatura infantil, mesclando-as com literaturas produzidas mais recentemente.

O processo de aquisição da leitura da linguagem escrita na criança não inicia direto na alfabetização. É um processo constante que deve ser estimulado, com vistas a estimular a curiosidade de conhecer este mundo mágico.
Dar oportunidades para que os alunos conheçam o mundo encantado dos livros e vencer suas deficiências com a leitura é um importante facilitador no processo de assimilação da escrita. Quando estimulados a desenvolverem o hábito e o gosto de pela leitura, as crianças desenvolvem as suas capacidades interpretativa e criativa. A Escola é crucial neste processo, pois é nela que identificamos e formamos leitores.
No dia-a-dia, ficamos o tempo inteiro realizando leituras. No caso de minha turma, como ainda não dominam a leitura escrita, a função imagética é fundamental e neste sentido, as leituras de gibis, produziram excelentes efeitos, aguçando suas curiosidades e desafiando seu senso crítico.
Segundo o que afirma Carvalho (2004), “palavras e imagens, juntos, ensinam de forma mais eficiente – a interligação do texto com a imagem, existente nas histórias em quadrinhos, amplia a compreensão de conceitos de uma forma que qualquer um dos códigos, isoladamente, teria dificuldades para agir”.


Entre os elementos que os gibis oferecem, estão os aspectos lúdicos como cores, onomatopeias, personagens e traços. São histórias curtas que fazem parte da literatura infantil que se aliam às brincadeiras justamente através do simbólico, da fantasia.
Como estamos próximo à metade do ano letivo, muitas crianças já estão dominando a leitura, realizando-as autonomamente. Aliando-se a isso, nossa Escola também tem o “Dia da Leitura” e nestes momentos, as crianças ficam livres para escolherem os títulos que melhor lhes convém.
De acordo com as reflexões de Anjos e Ferreira (2012), “as idas a bibliotecas e a participação efetiva das crianças no processo de interação com livros, revistas, jornais, almanaques, gibis, entre outros, é um aspecto que pode ser adotado pelo professor no intuito de induzir o educando a aprender a explorar este espaço, colaborando com a consequente autonomia do mesmo nesta atividade que, pelo auxílio do professor, tornar-se-á rotineira para a criança.”

Deste modo, a leitura não pode ser uma atividade secundária na sala de aula ou na vida, uma atividades que vise apenas solucionar problemas de escrita.

(Kasandra - Turma de Primeiro Ano)
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REFERÊNCIAS

ANJOS. Luciana Moreira dos.; FERREIRA. Aline Barbosa Francine Veloso. A importância da leitura no processo de alfabetização e o uso da biblioteca como espaço de construção do encanto pelo ato de ler. Disponível em: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/seminario/seminario9/PDFs/3.40.pdf, acessado em 20 de maio de 2017.

CARVALHO. Leandro. História em quadrinhos como incentivo à leitura. Disponível em http://educador.brasilescola.uol.com.br/orientacoes/historia-quadrinhos-como-incentivo-leitura.htm, acessado em 20 de maio de 2017.

CORSINI. Rodinei. Gibis na alfabetização. Disponível em: http://www.revistaeducacao.com.br/gibis-na-alfabetizacao/, acessado em 20 de maio de 2017.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Leitura em foco na prática

O estimulo a leitura faz-se tão necessário como nunca, visto que a atual realidade que compreende excessivas e instantâneas informações midiáticas, que muito pouco oferece para se ler, incluindo o pouco investimento em leitura no núcleo familiar e a conseqüente falta de incentivo. Esse cenário é provavelmente o grande responsável pela falta de interesse pelos livros, pela leitura, ocasionando problemas significativos que são perceptíveis no cotidiano escolar: como o vocabulário precário, reduzido e informal, dificuldades na compreensão e erros ortográficos gritantes, a conseqüente dificuldade em interpretar e redigir textos, poucas produções significativas dos alunos, conhecimento restrito, entre outros.
Diante desse quadro, a escola vem a exercer um papel singular no resgate do hábito e prazer pela leitura, que não se limita a informar, pois contribui e estimula a reflexão, a organização do raciocínio, a expansão do vocabulário e gráfica, a criatividade, entre outros. Sendo que a formação de novos leitores constitui uma importante ferramenta para promover a cidadania e a emancipação social.

Objetivos:

  • Estimular o prazer da leitura e a potencialidade cognitiva e criativa do aluno;
  • Possibilitar o acesso aos diversos tipos de leitura na escola, estimulando dessa forma a efetivação da leitura e escrita enquanto processo;
  • Despertar o desejo pelo conhecimento, a partir de novas leituras;
  • Favorecer o desenvolvimento do vocabulário, possibilitando a consolidação de formas ortográficas;
  • Possibilitar diferentes produções dentre elas: orais, escritas e em outras linguagens;
  • Proporcionar a vivência de distintas emoções, através do exercício da fantasia e da imaginação;
  • Desenvolver atitudes de interação, de colaboração e de troca de experiências em grupo;
  • Propiciar aos alunos por meio da leitura, a oportunidade de alargamento dos horizontes pessoais e culturais, assegurando a sua formação crítica e autônoma.

Atividades Realizadas

Hora do conto: Realização de narrativas de estórias dentre elas: contos de fadas, lendas, parlendas, poemas, crônicas, memórias, dentre outras. Incluindo diferentes materiais como fantoches, slides, utensílios diversos, representações, etc.
Após esse momento, outras atividades são desenvolvidas sobre a história:
-Realização de desenhos, pinturas, colagens, fantoches, marcadores de página;
-Realização de receitas;
-Criação de uma nova história com os mesmos personagens;
-Desenvolvimento de jogos a partir do texto, para trabalhar a ortografia e o vocabulário (bingo, caça-palavras, cruzadinha, forca, telefone sem fio, entre outras possibilidades);
-Elaboração de texto coletivo, utilizando personagens ou o contexto da história;
Livro Itinerante: Foi solicitado aos pais o envio de uma pasta na qual durante as sextas-feiras irá transportar um livro a escolha dos alunos, a fim de proporcionar momentos de leitura em casa. Para os que ainda não conseguem ler, torna-se um incentivo a leitura dos pais para os filhos, favorecendo o vínculo familiar.
Visita a biblioteca da escola: Lá os alunos poderão ler ou fazer empréstimos de livros;
Cantinho literário: É um espaço dentro da própria sala de aula (pode-se colocar almofadas, tapetes) expondo diferentes tipos de literatura, adequados a faixa etária e acessíveis aos alunos.

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Daniela Paixão
                                 
       Refe­­­rências


FREIRE, P. A importância do ato de ler. 41ª ed, São Paulo: Cortez, 2001.