Compreendemos que a natureza
estabelecida no ato de querer compreender, de buscar o entendimento, são
aspectos que norteiam a investigação de um Projeto de Pesquisa, já que o mesmo
pode abranger múltiplos aspectos, em diferentes áreas do conhecimento, que
trabalhadas em uníssono, trazem significativas contribuições para o processo de
ensino-aprendizagem.
Ainda que a realidade de nosso grupo
seja constituída de diferentes realidades, um dos pontos pacíficos é que a
idade não é um fator pré-determinante para o início dos questionamentos,
tampouco das investigações.
Desta forma, julgamos importante
especificar como ocorreu o processo em cada caso em específico, a saber:
A turma da Daniela é constituída por
crianças do Maternal I, na faixa etária entre os 2 e 3 anos, marcadas pelo egocentrismo, com
vistas à repetição vocabular e expressões de frases sintéticas. Percebeu-se que
os interesses orbitaram na contação de histórias curtas ou ainda, nos
tradicionais contos de fadas. Neste sentido, as observações com relação as
predileções demonstradas nas brincadeiras livres nortearam as escolhas das atividades
propostas, sempre tendo-se em vista que é nessa fase que a criança aprende a
falar, atentando para a utilização de vocabulários que estejam inclusos em um
mesmo contexto.
No caso da Turma 3 A 3, pertencente a Ivonete,
os alunos encontram-se na faixa etária dos 7 a 8 anos, totalizando 25 crianças.
Ao propor-se a realização de um Projeto de Aprendizagem, as discussões iniciaram-se
com a questão “Há apenas um tipo de leitura?” Dando vazão à oralidade que é
característica desta turma e às contra-argumentações, evidenciou-se a conclusão
de que todos os seres humanos realizam leituras de mundo a todo instante,
independente de serem alfabetizados ou não, embora a Escola desempenhe papel
fundamental na otimização desta compreensão. A dúvida pairou sob as formas como
ocorrem estas interpretações. Sendo assim, as atividades que seguiram-se, foram
direcionadas no sentido de comprovar a veracidade destas afirmações com relação
à realidade que os alunos percebiam à sua volta. Já com relação à escolha das
literaturas, respeitou-se as indicações dos alunos, a partir de seus próprios
campos de interesse.
Desta forma, muitas das argumentações que foram utilizadas, serviram de parâmetros norteadores para as atividades encaminhadas. Para exemplificar, citamos as discussões daquilo que entitulou-se "leituras explícitas" e/ou "leituras implícitas", pois daqui, originou-se a conclusão de que, a todo tempo, estamos fazendo leituras do mundo que nos rodeia.
Num segundo momento, quando organizaram-se autonomamente para realizar uma produção textual coletiva, chamou a atenção as táticas de apresentação pelas quais eles optaram: alguns, escolheram alternar leituras, parágrafo a parágrafo, outros, realizaram-na segundo as falas dos personagens, enquanto outros, decidiram pela atividade conjunta. Isso foi muito enriquecedor ao passo que, enquanto professora, julgava-se que seria uma fase que necessitaria intervenção direta. Porém, tudo ocorreu de forma tão naturallizada que despertou a percepção de que, apesar de tão pequenos, há certas questões desafiadoras que precisam ser confiadas às suas capacidades decisórias.
A atividade de leitura oral demonstrou-se importante ao passo que promoveu simultaneamente a desinibição, a socialização e atenção quanto a utilização correta dos sinais de pontuação, aspectos cruciais para o desenvolvimento de uma aprendizagem significativa, já que tratam-se de alunos que ainda encontram-se em fase de alfabetização.
Após acordar-se que a realização da atividade Bolsa Literária seguiria a ordem alfabética, não houveram discussões quanto ao ordenamento. Algumas exposições chamaram a atenção porque os pais auxiliaram seus filhos no que se refere aos “treinamentos” de suas falas, ainda que as mesmas não tenham ocorrido sem contrapontos da parte dos colegas. Em alguns casos, como em uma leitura sobre os benefícios da alimentação saudável, uma das crianças produziu o personagem utilizando apenas vegetais e frutas e conjuntamente com a família, decidiu denominá-las como Dona Vitalidade. Certamente, foi um dos momentos marcantes desta atividade e todos adoraram!
As produções escritas deles já buscam um maior incremento vocabular, substituindo as tradicionais repetições de palavras e ideias que caracterizam esta fase da alfabetização, ou seja, outro aspecto positivo intrínseco ao desenvolvimento das atividades que foram propostas.
A oralidade também foi potencialmente
explorada por parte da turma de Primeiro Ano que pertence à Kasandra, já que
por estarem na fase inicial da alfabetização, os mesmos ainda não dominam a
linguagem escrita para realizarem leituras de forma autônoma. Por este motivo,
a utilização de materiais com recursos imagéticos ampliados (vídeos, gibis,
contação de histórias com a utilização de fantoches, etc) determinaram os focos
de interesse que foram apresentados pelas crianças, bem como suas certezas e
dúvidas.
Entre as turmas com as quais trabalha, a
Alessandra escolheu um Terceiro Ano do Ensino Médio para desenvolver suas
atividades deste Projeto de Aprendizagem. A mesma é composta por 30 alunos, com
idades entre 16 e 18 anos, os quais destacam-se pela pro-atividade. Mobilizados
por questões sobre a prática da leitura na Língua Inglesa, os focos de
interesse surgiram a partir dos diferentes níveis de compreensão do idioma.
Desafiados a realizarem interpretações de diferentes gêneros literários, todas
as pesquisas realizaram-se com o intuito de constituírem-se fichas de leituras,
sequenciadas por apresentações oralizadas, porém, em Português, para facilitar
entendimentos e debates em torno das questões suscitadas.
Ao passo que vamos desenvolvendo as atividades que permeiam nosso PA, vamos fundamentando os diferentes significados abrangidos pelo ato da leitura, damo-nos conta do quanto o estímulo à esta prática desempenha papel fundamental no despertar para a apreciação de diferentes obras literárias. Ao nosso ver, são práticas desta natureza que podem atuar como verdadeiros antídotos contra a proliferação dos casos de analfabetismo funcional nos níveis que vem alarmando a sociedade em nossos dias.
Ao passo que vamos desenvolvendo as atividades que permeiam nosso PA, vamos fundamentando os diferentes significados abrangidos pelo ato da leitura, damo-nos conta do quanto o estímulo à esta prática desempenha papel fundamental no despertar para a apreciação de diferentes obras literárias. Ao nosso ver, são práticas desta natureza que podem atuar como verdadeiros antídotos contra a proliferação dos casos de analfabetismo funcional nos níveis que vem alarmando a sociedade em nossos dias.
(Apontamentos realizados pela Ivonete)
Os encantos da prática da Leitura no Primeiro Ano
A leitura é um
momento lúdico que, no caso do Primeiro Ano, envolve muita fantasia. É o momento
que a criança viaja para um mundo encantado, cheio de surpresas. Quando realizo
leituras orais para meus alunos, percebo que lhes aguça a curiosidade e todos
ficam bem envolvidos. Desta forma, esta prática costuma fazer parte de meu
cotidiano pedagógico.
Enquanto vou
realizando as leituras, procuro convidá-los a argumentar sobre os assuntos,
procuro promover atividades que envolvam motricidade, coordenação motora fina,
pois o meio em que vivemos não é apenas para ser visto, mas também para ser
tocado, cheirado, ouvido e degustado e a Escola é um dos ambientes em que as
crianças podem ter estas percepções de como explorar o mundo por meio dos cinco
sentidos. Neste momento, procuro por leituras de clássicos da literatura
infantil, mesclando-as com literaturas produzidas mais recentemente.
O processo de
aquisição da leitura da linguagem escrita na criança não inicia direto na
alfabetização. É um processo constante que deve ser estimulado, com vistas a
estimular a curiosidade de conhecer este mundo mágico.
Dar oportunidades
para que os alunos conheçam o mundo encantado dos livros e vencer suas
deficiências com a leitura é um importante facilitador no processo de assimilação
da escrita. Quando estimulados a desenvolverem o hábito e o gosto de pela leitura,
as crianças desenvolvem as suas capacidades interpretativa e criativa. A Escola
é crucial neste processo, pois é nela que identificamos e formamos leitores.
No dia-a-dia, ficamos
o tempo inteiro realizando leituras. No caso de minha turma, como ainda não
dominam a leitura escrita, a função imagética é fundamental e neste sentido, as
leituras de gibis, produziram excelentes efeitos, aguçando suas curiosidades e
desafiando seu senso crítico.
Segundo o que afirma Carvalho
(2004), “palavras e imagens, juntos, ensinam de forma mais eficiente – a interligação
do texto com a imagem, existente nas histórias em quadrinhos, amplia a
compreensão de conceitos de uma forma que qualquer um dos códigos,
isoladamente, teria dificuldades para agir”.
Entre os elementos
que os gibis oferecem, estão os aspectos lúdicos como cores, onomatopeias,
personagens e traços. São histórias curtas que fazem parte da literatura
infantil que se aliam às brincadeiras justamente através do simbólico, da
fantasia.
Como estamos próximo à
metade do ano letivo, muitas crianças já estão dominando a leitura, realizando-as
autonomamente. Aliando-se a isso, nossa Escola também tem o “Dia da Leitura” e
nestes momentos, as crianças ficam livres para escolherem os títulos que melhor
lhes convém.
De acordo com as
reflexões de Anjos e Ferreira (2012), “as idas a bibliotecas e a participação
efetiva das crianças no processo de interação com livros, revistas, jornais,
almanaques, gibis, entre outros, é um aspecto que pode ser adotado pelo
professor no intuito de induzir o educando a aprender a explorar este espaço,
colaborando com a consequente autonomia do mesmo nesta atividade que, pelo
auxílio do professor, tornar-se-á rotineira para a criança.”
Deste modo, a leitura
não pode ser uma atividade secundária na sala de aula ou na vida, uma
atividades que vise apenas solucionar problemas de escrita.
REFERÊNCIAS
ANJOS. Luciana Moreira dos.; FERREIRA. Aline Barbosa Francine Veloso. A importância da leitura no processo de alfabetização e o uso da biblioteca como espaço de construção do encanto pelo ato de ler. Disponível em: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/seminario/seminario9/PDFs/3.40.pdf, acessado em 22 de maio de 2017.
ANJOS. Luciana Moreira dos.; FERREIRA. Aline Barbosa Francine Veloso. A importância da leitura no processo de alfabetização e o uso da biblioteca como espaço de construção do encanto pelo ato de ler. Disponível em: http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/seminario/seminario9/PDFs/3.40.pdf, acessado em 22 de maio de 2017.
CARVALHO.
Leandro. História em quadrinhos como
incentivo à leitura. Disponível em http://educador.brasilescola.uol.com.br/orientacoes/historia-quadrinhos-como-incentivo-leitura.htm,
acessado em 22 de maio de 2017.
CORSINI.
Rodinei. Gibis na alfabetização. Disponível
em: http://www.revistaeducacao.com.br/gibis-na-alfabetizacao/,
acessado em 22 de maio de 2017.
(Apontamentos realizados pela Kasandra)
(Observações realizadas por Alessandra)
Análise Final do PA
Ao concluírmos e apresentarmos nosso projeto de aprendizagem, a qual construímos em nossas respectivas turmas, percebemos que é possível trabalhar nos mais diversos eixos do currículo, acrescentando com isso, todo o embasamento teórico e metodológico de nossas práticas em sala de aula.
Assim, entendemos que o eixo principal desse projeto e que nos levou a novos aprendizados é, essencialmente, partir do conhecimento de nossos alunos. Não por acaso, nosso tema foi a leitura, porque também define os mais diversos olhares sobre as formas de compreender o mundo à nossa volta.
Ao ler, o estudante infere e analisa seu mundo com seu conhecimento pre-estabelecido, de forma que possa trazer contribuições ao seu aprendizado e à construção cognitiva.As turmas contempladas nesse projeto tiveram um papel essencial na operacionalização de nossas ideias como grupo do PEAD, já que aqui, exercendo esse papel, de alunas, leitoras e mediadoras, também nos transportamos para dentro desse PA.
Evidenciamos também, que ao oportunizar aos estudantes um diálogo horizontal sobre seu próprio aprendizado e instigando-os a criarem estratégias e mecanismos pedagógicos para que desenvolvessem a pesquisa de forma significativa, como agentes ativos de seu saber, tornavam-se assim, aprendentes e mediadores, pois ao desenvolver a responsabilidade de fazer parte do projeto como criador, também colocavam-se na posição de inicadores, pioneiros e criativos, tinham um papel estrurante nesse cenário que se instarou - do PA!
Por fim, apontamos sobre a importância de continuarmos, como educadoras, a desenvolver projetos que tenham este layout e formato, porque entendemos que só com a construção participativa e cooperativa, onde o conhecimento tenha um prazer significativo na construção que estabelece o aluno; seja com ele mesmo, com o professor e aquilo que estuda, pesquisa, infere como agente principal de seu saber.
(Observações realizadas por Alessandra)






