O desenvolvimento de um Projeto
de Aprendizagem envolve uma profunda reflexão na esfera da subjetividade, que
precede o ato docente. Isso implica de certa forma abandonar uma zona de
conforto, adentrando um território desconhecido, ou as amarras que delimitam a
sua própria autonomia. O que leva o professor a conhecer não somente os seus
alunos, como também a averiguar constantemente as suas próprias ações enquanto
investigador. Trabalhar de forma interdisciplinar ainda exige um maior diálogo
entre as partes envolvidas, uma comunicação coerente e eficiente que predispõe
um trabalho em equipe, o que contribui efetivamente com o progresso em
múltiplas áreas do saber.
De acordo com Fernando Hernandez,
em seu texto: Um mapa para iniciar um percurso, as próprias disciplinas em si
sofrem variações e contradições ao longo do tempo, não são homogêneas, dessa
forma para se construir uma realidade é preciso ampliar a visão a fim de criar
conexões que se complementam e não apenas unir pedaços. É necessário estruturar
o conhecimento conectando os elementos que o compõem, ao invés de dividir-los,
possibilitando aos alunos tornarem-se sujeitos na sua aprendizagem, conseguindo
assim contextualizar, priorizar, categorizar, criar e tecer relações.
Entretanto é extremamente
relevante a análise constante para fins de conhecimento da turma, para que
essas práticas educativas não caiam na rotina, tornando-se limitadas ou se
“coisifiquem”, como salienta HERNANDEZ no referido texto. Dessa forma, parte do
professor pesquisador a observância das reais carências doas alunos,
valorizando os seus interesses e criando conexões com o mundo extra-escolar em
seus diferentes contextos sociais. Transformando a escola em fonte geradora de
cultura e não reduzindo o seu papel a mera transmissora de conteúdos.
Contudo, o desenvolvimento de
PA’s ainda não são de praxes em grande parte das instituições escolares
públicas brasileiras, seja por questões organizacionais e de cunho político ou
ainda pela completa falta de infra-estrutura: bibliotecas, laboratórios de
informática e ciências, quadra de esportes, entre outros. Todavia o professor
tem um importante papel transformador nos processos de mudança do sistema
escolar e todas as suas iniciativas colaboram para esse movimento, sendo assim,
tecer estratégias para as suas práticas e se reinventar também constitui uma de
suas missões.
Jean Piaget já dizia que, "a
principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas
novas, não simplesmente repetir o que outras gerações fizeram. Homens que sejam
criadores inventores e descobridores. A segunda meta da educação é formar
mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a
elas se propõe."
Analisando esta questão,
FAGUNDES, et al, (1999, p. 18) afirma que,
"se o ser humano deixa de ser uma criança perguntadora,
curiosa, inventiva, confiante em sua capacidade de pensar, entusiasmado por
explorações e por descobertas, persistente nas suas buscas de soluções, é
porque nós, que o educamos, decidimos 'domesticar' essa criança, em vez de
ajudá-la a aprender, a continuar aprendendo e descobrindo".
Após tão contundente crítica,
parece-nos impossível que a Escola continue se emoldurando sob sua forma
clássica, com conteúdos tradicionalmente tratados, hierarquicamente organizados
segundo critérios de pertencimento disciplinar e acadêmico.
Porém, pensar em práticas
pedagógicas sob o viés construtivista piagetiano, requer que tenhamos noções
quanto à organização do cotidiano pedagógico sob a forma de Projetos, já que os
mesmos podem dividir-se em Projetos de Aprendizagem, Projetos de Ensino e
Projetos de Ação.
Contrariando as tomadas de
decisões de forma heterárquica dos Projetos de Aprendizagem, os Projetos de
Ensino, os professores, juntamente com a coordenação pedagógica escolhem o tema
a ser abordado, arbritam sobre os critérios externos e formais, de acordo com
a organização hierárquica dos conteúdos curriculares. Apesar de
denominado como metodologia globalizadora, o Projeto de Ensino ainda mantém o
Professor em seu papel de agente transmissor de conhecimentos aos alunos, meros
receptores de informação.
A exemplo dos Projetos de Ensino,
os Projetos de Ação compõem-se de um tema norteador, estabelecimento de
objetivos, justificativas que respaldem as ações e metodologias a serem
realizadas, bem como recursos necessários e resultados almejados, os quais são
organizados sob a forma de um cronograma de ações. Todavia, ambos diferem-se
com relação ao tempo de duração, pois se o primeiro, pode ser estabelecido à
longo prazo, o Plano de Ação está mais interessado nos resultados propriamente
ditos, evidenciados em retomadas constantes aos objetivos a que se dedica.
REFERÊNCIAS
FAGUNDES. Léa da Cruz, et al.; Aprendizes do futuro: as
inovações começaram. Disponível
em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me003153.pdf, acessado
em 06 de abril de 2017.
HERNANDEZ, Fernando.Transgressão e Mudança na Educação: Os Projetos de Trabalho. Porto Alegre. Artmed, 1998.